O QUE EU FAÇO COM QUE SINTO POR VOCÊ
Numa determinada oportunidades reencontraram vários amigos
verdadeiros e antigos a fim de celebrarem o casamento de mais deles. Reencontro
que trouxe muitas sensações e reflexões. Pois de fato a cada vez que acontece tal
confraternização fica evidente o transcurso do tempo, serve como se fosse a
materialização do que já vivemos. Alguns quilos a mais, cabelos a menos e
alguns de cor diferente da original. O Tempo, criação do Divino e que é livre
por natureza. Ele existe, convivemos com ele e pronto! Essa convivência é que
para uns tona-se mais doce e para outros, mais amarga. Mas o tempo segue seu
caminho apesar de tudo e de todos!
Pois bem, depois de todos os amigos terem chegado resolveram se
concentrar para conversar e relembrar seus momentos. Para variar as histórias
que os alegram são as mesmas contadas pelos mesmos, mas as risadas sempre
diferentes. Muito bom isso! Outra prova de que a amizade é real. E que o tempo
fez bem para eles.
O motivo para aquela reunião é o casamento de um deles, um dos mais
novos, mas todos vieram para reafirmar o vínculo que os une. E logo começou a
serem repassadas as aventuras de cada um. Logicamente sob a ótica daquele que
contava a história. Com partilhada por todos ou pela maioria deles. Boas
risadas e mais uma vez, tentavam justificar o injustificável ato praticado em
tempos passados. Fosse o que aconteceu durante o período de faculdade ou mesmo
após. O fato é que eles tiveram seus momentos e fases juntos.Mas cada um estava
ao seu modo feliz e construindo sua estrada Cada Andarilho estava vivenciando
suas escolhas.
Boas foram as festas, os churrascos para assistirem aos jogos de
futebol, os congressos, as viagens de férias. Excelente a experiência de passar
a fazer parte da vida do outro sem interesse se não o bem de cada um. Isso
independentemente do tempo. Aqui cabe uma reflexão acerca da eterna
incompatibilidade entre o Tempo e Amor. Não importa seja o amor fraterno que os
une como verdadeiros irmãos ou até mais, pelo fato de terem escolhido ser
amigos um do outro; não importa se o amor é o familiar, ou o amor que existe
entre os amantes. O tempo ignora o tipo e se mostra totalmente indiferente a
ele. Do outro lado, o amor quer estreitar os laços com o Tempo, mas
infrutíferas suas tentativas. Não restando alternativa senão aprender a
conviver o desprezo do tempo. Assim quem assiste impotente, ao embate de ambos,
somos nós!
Essa reflexão surgiu exatamente durante a conversa entre o grupo de
amigos, pois que cada um está caminhando por sua estrada.
E ao longo desse Caminho eles semeiam suas esperanças, aprendem com
a observação do trajeto escolhido, curam feridas, alimentam amizades, buscam
sempre o novo e o melhor! Mas há também, o momento da saudade. Nenhum deles é
capaz de ignorar a intensidade da infância, juventude e dos dias atuais.
Por tal razão fica clara a indiferença do Tempo no que diz respeito
ao Amor. O tempo faz com que cada um siga sua trilha. O tempo mostra que os
acontecimentos devem ser guardados, mas a caminhada deve continuar. O tempo
mostra que as pessoas entram e saem de nossas vidas. Mesmo assim devemos
continuar. O tempo não aceita a conviver com o Amor. Os dois não se toleram e,
por isso, talvez, seja que ambos protagonizam tantas e tantas histórias.
Neste sentido, um dos amigos ponderou: - quem de nós passou pela
situação de que não queria nenhum relacionamento amoroso sério, mas mesmo assim
a pessoa insistiu em aparecer? Ou já ouviu de alguém: - Você chegou na minha vida 45 minutos atrasado,
seremos apenas amigos”. Caramba, essa última é cruel!!!!
O Amor em represália ao desprezo do tempo deixou de usar relógio,
deixou de observar a fase de vida está; o Amor não quer saber se é dia ou
noite. Do outro lado o Tempo ignora se você e a pessoa amada são da mesma
cidade e ele precisa regressar. O Tempo aproveita para irritar o amor quando
ele aparece durante as férias ou na fase do colégio. O Tempo ignora tudo e
passa por cima do Amor. Muito embora fique machucado o Amor não morre! Depois
disso, um dos amigos, o que estava casando disse: - Creio que exista um momento
em que o Tempo e o Amor se permitam conviver, durante o repouso de ambos. Mas
nessa hora, o amor aparece sem avisar e nos surpreende. O tempo parece parar.
Então fica evidente que durante o sono do Tempo e do Amor um sonha com o outro.
O Amor quer ser onipresente. O Tempo quer ser Imprevisível. Logo a união deles
é uma coisa de outro mundo. O Tempo destruiu muitas coisas ao longo da
existência humana segundo a ótica de vários poetas. O Amor construiu, matou,
doeu, viveu, foi embora, retornou, lutou, dormiu, gerou, enfim o Amor faz de
tudo, também, sob a ótica dos escritores. De fato o que fica claro é que todos
os Amigos conhecem o Tempo e conhecem o Amor. Todos os Amigos são próximos de
ambos. Mas nunca podem levar um na festa do outro. Diante dessa constatação
surgiu uma ponderação proposta por um dos Amigos que estava o tempo todo
calado, ele compartilhou: “essa coisa do amor e o tempo não se respeitarem é
uma das maiores bobeiras que já escutei. Não concordo com nada do que foi dito,
em verdade eu creio que o Tempo e o Amor são parceiros, pois eu mesmo, após
tanto tempo ainda consigo conviver com o Amor da Minha vida. Mesmo estando ela
na vida de outro. Mas o Tempo não me tirou isso. Agora vamos celebrar”!
Fiquem em paz!
